Após a inoculação do vírus através da picada do mosquito, a primeira replicação ocorre em linfonodos locais, células musculares estriadas e lisas e fibroblastos. Com isto há a disseminação do microrganismo, livre no plasma ou no interior de monócitos / macrófagos. O vírus do dengue tem tropismo por estas células fagocitárias, que são reconhecidamente importantes para sua replicação.
Existem duas
formas de resposta imune ao vírus: a primeira previne a infecção e propicia a
recuperação; a segunda relaciona-se com a imunopatologia do dengue hemorrágico.
A primo-infecção pelo dengue estimula a produção de imunoglobulinas (são
proteínas que se ligam de forma específica a moléculas denominadas antígeno.
São produzidas pelos plasmócitos) M (IgM), detectáveis a partir do quarto dia
após o início dos sintomas, atingindo os níveis mais elevados por volta do
sétimo ou oitavo dia e declinando lentamente, passando a não serem detectáveis
após alguns meses. As imunoglobulinas G (IgG) são observadas, em níveis baixos,
a partir do quarto dia após o início dos sintomas, elevam-se gradualmente,
atingem valores altos em duas semanas e mantêm-se detectáveis por vários anos,
conferindo imunidade contra o sorotipo infectante, provavelmente por toda a
vida.
Os anticorpos
obtidos durante a infecção por um tipo de vírus também protegem da infecção por
outros tipos virais; entretanto, esta imunidade é mais curta, com duração de
meses ou poucos anos. Infecções por dengue, em indivíduos que já tiveram
contato com outros sorotipos do vírus, ou mesmo outros Flavivírus (como os vacinados contra febre amarela), podem alterar o perfil
da resposta imune, que passa a ser do tipo anamnéstico ou de infecção
secundária (reinfecção), com baixa produção de IgM, e resposta precoce de IgG.
Nos quadros de
dengue a sintomatologia geral de febre e mal-estar relaciona-se à presença, em
níveis elevados, de citocinas séricas. As mialgias relacionam-se, em parte, à
multiplicação viral no próprio tecido muscular, acometendo inclusive o nervo
óculo-motor, levando a cefaleia retrorbitária.
Já no dengue
hemorrágico, uma infecção sequencial foi claramente definida como importante
fator de risco, uma vez que os anticorpos preexistentes podem não neutralizar
um segundo vírus infectante de sorotipo diferente e, em muitos casos,
paradoxalmente, amplificam a infecção, facilitando a penetração em macrófagos.
Com isto, tais indivíduos possuem populações de macrófagos maciçamente
infectadas, produzindo alta viremia.
Por enquanto é só galera, até a próxima postagem, abraços!
Fonte:
Universidade de Brasília. Faculdade de Medicina. - PÓS-GRADUAÇÃO EM PATOLOGIA MOLECULAR. CARACTERIZAÇÃO MOLECULAR DE VÍRUS DO DENGUE SOROTIPO-1 E DESENVOLVIMENTO DE cDNA INFECCIOSO
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirGRUPO M:
ResponderExcluirMuito interessante a postagem de vocês dessa semana, destacando os aspectos da infecção do vírus da dengue, ressaltando a resposta imune que impede a reinfecção e que facilita a entrada dos vírus da dengue em macrófagos, o que é parte importante
no mecanismo fisiopatológico da dengue hemorrágica. Vale ressaltar que esta forma de dengue é consequência de uma anômala resposta imune, envolvendo leucócitos, citocinas e imunocomplexos, causando aumento da permeabilidade por má função vascular endotelial, sem destruição do endotélio, com extravasamento de líquidos para o interstício, causando queda da pressão arterial e manifestações hemorrágicas, associadas a trombocitopenia. Em relação à sintomatologia, também abordado na postagem, vale destacar a questão da febre da dengue, que nas formas indiferenciada e clássica é autolimitada e o desaparecimento da doença coincide com o aparecimento de vigorosa resposta imune. Esperamos ter contribuído com o blog de vocês, assim como vocês vem contribuindo com o nosso conhecimento a respeito da Dengue :))
Valeu pela postagem, galera! como foi dito, Os sintomas gerais do dengue com febre e mal-estar surgem após período de incubação de dois a sete dias, relacionam-se a níveis séricos elevados de citocinas liberadas por macrófagos ao interagirem com linfócitos T (LT) helper ativados. Observam-se altos teores séricos de interleucina-2 (IL-2) e de seu receptor solúvel, de CD4 solúvel, interferon-γ (IFNγ), interferon-α (IFN-α) que se mantêm elevado até a convalescença, fator de necrose tumoral-α (TNF-α), interleucina 1 β (IL-1β) e o fator de ativação de plaquetas (PAF).
ResponderExcluirhttp://revista.fmrp.usp.br/1999/vol32n1/patogenia_infeccoes_pelos_virus_do_dengue.pdf
GRUPO B
ResponderExcluirLegal, galera! Entendemos as sucessivas reações orgânicas ocasionadas pela entrada do vírus no organismo. Atentei para a diferença dos tipos hemorrágica e clássica, uma questão que é de muito interesse para a saúde pública, principalmente na eficiência do tratamento da forma mais grave que consiste em terapias contra insuficiência circulatória, como reposição de plasma. Deve-se evitar remédios à base de ácido acetilsalicílico (como a aspirina), pois podem provocar ainda mais sangramentos. Em um primeiro contato com vírus o organismo consegue produzir defesas e memória para o tipo adquirido, entretanto em um segundo contato, não se sabe porque, a resposta é exacerbada o que acaba por liberar muitos mediadores que acabam por romper pequenos vasos, explicação extra para entender os sucessivos sangramentos do tipo hemorrágico da dengue.Até!
REFERÊNCIAS
http://super.abril.com.br/saude/qual-diferenca-dengue-comum-hemorragica-442848.shtml
Olá galera! Muito interessante e engrandecedor o post de vocês. Queria contribuir ressaltando as formas clínicas atípicas da dengue, simulando outras doenças. Na hepatite pelo vírus do dengue ocorre elevação importante das transaminases e presença de icterícia. A doença pode apresentar-se com febre, dor abdominal e vômitos, quadro indistinguível das outras hepatites virais agudas. Podem ocorrer formas raras com comprometimento do sistema nervoso central manifestando-se com encefalites (Síndrome de Reye) ou polineuropatias (Síndrome de GuillainBarré). Essas formas podem surgir no decorrer da doença ou na fase de convalescença.
ResponderExcluirSERUFO, José Carlos et al. Dengue: uma nova abordagem. Rev Soc Bras Med Trop, v. 33, n. 5, p. 405-76, 2000.
GRUPO H
ResponderExcluirDengue realmente é assunto muito amplo, e o blog tem mostrado isso. É importante reconhecer e saber sobre os mecanismos abordados para haja a possibilidade de se atuar cada vez mais precocemente sobre a doença, na tentativa de impedir que o processo se estenda e evolua para as formas mais graves. São inegáveis, no entanto, algumas peculiaridades existentes na fisiopatologia dessa infecção, notadamente aquelas relacionadas ao aumento significativo e precoce da permeabilidade vascular, assim como as decorrentes de distúrbios da coagulação sanguínea. É, realmente, necessário entender os mecanismos fisiopatológicos do dengue, especialmente os que evoluem...
GRUPO H
ResponderExcluirDengue realmente é assunto muito amplo, e o blog tem mostrado isso. É importante reconhecer e saber sobre os mecanismos abordados para haja a possibilidade de se atuar cada vez mais precocemente sobre a doença, na tentativa de impedir que o processo se estenda e evolua para as formas mais graves. São inegáveis, no entanto, algumas peculiaridades existentes na fisiopatologia dessa infecção, notadamente aquelas relacionadas ao aumento significativo e precoce da permeabilidade vascular, assim como as decorrentes de distúrbios da coagulação sanguínea. É, realmente, necessário entender os mecanismos fisiopatológicos do dengue, especialmente os que evoluem...
GRUPO A:
ResponderExcluirMuito esclarecedora e interessante a postagem galera, pois através dela conseguimos entender um pouco mais sobre os processos desencadeados pela entrada do vírus no organismo. Vale ressaltar que a fisiopatologia da dengue hemorrágica é mal conhecida. Uma das teorias parte do princípio de que ela esteja associada à infecção por cepas (linhagens) mais agressivas do vírus. A segunda pressupõe que já tenha havido uma primeira infecção inaparente pelo vírus, seguida de outra que provocaria reações imunológicas capazes de interferir com elementos essenciais do mecanismo de coagulação.
Aguardamos ansiosamente por mais postagens, abraço!
GRUPO A:
ResponderExcluirFontes: http://www.moreirajr.com.br/revistas.asp?fase=r003&id_materia=3150
Grupo D
ResponderExcluirPostagem interessante, uma vez que essa doença tem sido cada vez mais valorizada pelos problemas que tem causado à população. Quanto mais se conhecer e divulgar sobre o assunto, melhor! Busco aqui complementar a postagem com informações sobre alguns dos exames complementares que são realizados para confirmar casos de dengue hemorrágica e dengue clássica. Muitas vezes são realizados exames bioquímicos como a checagem dos níveis de albumina no sangue no sangue, além de testes de função hepática. Casos de dengue devem apresentar como resultados diminuição da albumina no sangue, chamada de albuminúria. Os testes de função hepática mais comuns são os chamados aminotransferase aspartato sérica e aminotransferase alanina sérica, que são enzimas hepáticas. Geralmente ocerre aumento das taxas dessas enzimas.
Referências: Dengue Aspectos Epidemiológicos, Diagnóstico e Tratamento. Ministério da Saúde
Envolvimento hepático em pacientes com dengue hemorrágico: manifestação rara?
Gente, como sempre vcs trazem contribuições importantes para o aprendizado. :)
ResponderExcluirSobre o tema de hoje, quis falar um pouquinho do sistema de proteção, e encontrei no Lehninger (3a ed, 2002) o seguinte: Cada proteína de reconhecimento do sistema imunológico, seja ela o anticorpo produzido por uma celula B, seja ela um receptor da superfície de uma celula T, combina-se especificamente com uma estrutura química particular, distinguindo-a de virtualmente todas as outras existentes. Os seres humanos são capazes de produzir mais de cem milhões anticorpos diferentes, com especificidades de ligação distintas. Essa extraordinária diversidade torna provável que qualquer estrutura química da superfície de um vírus (como o da dengue, por exemplo) ou célula invasora seja reconhecida e ligada por um ou mais anticorpos. A sua diversidade é o resultado de rearranjo ao acaso de um conjunto de segmentos gênicos de imuniglobulinas por mecanismos de recombinação genética.
Incrivel como podemos associar conteúdos, e perceber como tudo está interligado :)
Abraços, e aguardo a proxima publicação!